Capitulo
1:.
Hoje é o grande dia, o dia do meu
casamento, como numa história perfeita eu irei me casar com o homem dos meus
sonhos, aquele que passei dias e até anos chorando e pensando em como seria se
vivêssemos um romance, milésimas vezes achei que seria impossível, mas Deus me
mostrou que sonhos sim, podem ser reais... Para que isso finalmente acontecesse
passei por vários momentos um tanto quanto afanosos, enquanto a cabeleireira e
a maquiadora me arrumam para o grande momento, começo a relembrar as fases do
meu amor platônico.
Sabádo 9:00hrs
da manhã, o meu despertador toca barulhento como sempre. Como seria possível que
nem aos sábados eu poderia descansar?! Viro me de lado um pouco irritada, fecho
meus olhos, em menos de um minuto pulo da cama. Meu Deus! Hoje seria minha
formatura, finalmente poderei ir para a faculdade. Sim, sei muito bem que ainda é
de manhã e minha formatura é só as 20:00hrs mas além disso na casa do meu irmão
terá um almoço em família, voei para o banheiro, vesti me, maquiei me e sai,
meus pais estavam na sala, pareciam somente me esperar para irmos
- Bom dia Annie – Meus pais disseram como sempre muito
sorridentes
- Bom dia gente – Sorri
- Vamos? Estão todos nos esperando – Meu pai pegava a
chave do carro enquanto nos avisava
- Vamos – Voltei correndo para meu quarto eu havia
esquecido minha bolsa, era essencial não esquecê-la voltei minha mãe me
esperava para fechar a porta e finalmente sairmos.
Entrei no carro, minha mãe chegou e fomos, fui o caminho
inteiro em silêncio apenas ouvindo a música dele, daquele que me faz ficar por
horas e horas durante a noite imaginando o gosto dos seus beijos, o toque das
suas mãos, daquele que me faz chorar de tristeza e alegria durante vários
momentos nada passageiros, mas doces, eu não o amava apenas como um ídolo, como
mais um rosto bonitinho com uma bela e aquietante voz, eu o amava como homem,
eu o queria perto de mim, queria poder ter seu amor, queria poder dormir e
quando acordasse o vesse ali, dormindo ao meu lado, sim Raphael fazia tudo isso
com minha mente, as pessoas ao meu redor as vezes chamavam me de louca por ter
levado esse amor para um lado tão profundo, diziam me que amores platônicos
nunca tornam se reais, logicamente eu nem considerava o que me diziam, eu
simplesmente acreditava que sonhos que colocamos toda nossa fé, se tornavam
reais.
Levamos em torno de 15 minutos para chegarmos a casa do
meu irmão, praticamente todos os meus familiares se encontravam lá, tias, tios,
primos, primas, e alguns amigos também, cumprimentei –os e não demorou muito
tempo para começar as gozações
- Então Annie, cadê o seu namorado Raphael? – Dizia meu
primo Drake, junto com mais cinco primos que também se divertiam as minhas
custas.
- Aposto que ele se esqueceu dela, quer dizer aposto que
ele nem a conhece.. ops mais realmente ele não a conhece – Diziam e riam da
minha cara
Apenas revirei meus olhos, cansada disso, sinceramente
queria fugir dali.
- Vocês não cansam disso? Porque vocês não me deixam em
paz por pelo menos um dia?
- E perder a chance de ver a sua cara de chateação? Isso
nunca – Riam
- Quer saber, danem-se vocês todos. – Suspirei,
irritada, me retirei e fui sentar me junto de meus pais
Conversamos, o clima digamos que estava começando a
ficar agradável, quando meu telefone toca
- É o Raphael – Alguém disse.
Agora todos riam, até meus pais, meus olhos se encheram de lagrimas, mais resolvi segura-las para evitar maiores constrangimentos sai e fui atender em outro lugar
Agora todos riam, até meus pais, meus olhos se encheram de lagrimas, mais resolvi segura-las para evitar maiores constrangimentos sai e fui atender em outro lugar
- Oi Lupi, tudo bem? –atendi triste
-Tudo amiga, o que houve?
- O que você acha? Como sempre todos me humilham, riem
da minha cara –começo a chorar
- Ai Annie – suspirou, como sempre queria que ela
estivesse aqui, ao meu lado me consolando – Não ligue, eles não sabem o que é
sonhar.
- Sabendo ou não – olho para o céu azul clarinho, com
poucas nuvens – Eu desisto, talvez eles estejam com a razão desta vez.
- Meu amor, por favor, não desista, desistir não existe
no seu dicionário, e se você fracassar ao menos mantenha esse sonho vivo em sua
alma – Dizia com uma voz doce e meiga que como um vento tinha o dom de me
acalmar.
- Vou tentar Lupita, prometo –um leve sorriso apareceu
no meu rosto – e então qual é o motivo da ligação, amiga?
- Queria saber se já tem algum compromisso marcado para
o dia 19? –Parecia ansiosa
- Dia 19 – Falei e fiquei por alguns segundos pensando –
Creio que não, mas o que haverá de tão proveitoso que você precisa me avisar com 20 dias de antecedência?
- É surpresa – seu tom de voz aumentou assim como sua
alegria.
- Guadalupe – revirei os olhos – você sabe que detesto
surpresas – reclamei
-Mais tenho toda certeza do mundo que você ira amar, bem
pelo menos essa – percebi que tinha sorrido, e realmente parecia ser algo muito
interessante – Então já que até agora não lhe surgiu um compromisso não aceite
os que vierem a partir de hoje.
- Eu deveria mais é que aceitar os convites que me
fizerem, mais tudo bem Lupita, você me convenceu, tentarei o possível para
conseguir ver a surpresa –sorri
- Eba!! – Agora parecia ter sorrido ainda mais – No dia 18
te avisarei melhor sobre o que vai ocorrer, mas só no dia 18 para você ficar
mais interessada no assunto.
- Tudo bem, tudo bem, tentarei me controlar também –
Grunhi – Agora realmente preciso desligar amiga, nos vemos a tarde na formatura?
- Sem duvidas – disse – te espero lá, e boa sorte ai com
seus familiares.
- Obrigada – deixei que um pequeno riso se liberasse –
Então até a formatura – sorri.
- Até – Sorriu e desligou o telefone.
Fiquei ali, um pouco sentada, confesso que estava completamente
curiosa mas tentei me conter, levantei-me e voltei para onde estavam todos
meus familiares.
O almoço acabara, ficaram na mesa somente os mais
velhos, como meus tios, meus pais, e meus avós, meu irmão e meus primos foram
até o campo que havia ao lado da casa, nem tiveram o mínimo de interesse em me
convidar, mas também nada resolveria porque realmente eu não iria.
Fiquei lá sentada com os demais que restaram, tudo
estava absolutamente monótono, o tempo como sempre em uma situação dessas,
lentamente se arrastou e os minutos pareciam se mais com longas horas.
Finalmente já eram 17h30min e precisávamos voltar para
casa devido a formatura, foi um pequeno acontecimento que me deixara explodindo
de felicidade. Voltamos para casa, logo fui para o banho, eu tinha que por pelo
menos uma vez tentar ficar bonita, me olhei no espelho, meu semblante apontava
uma profunda infelicidade, sinceramente não sabia o que estava acontecendo
comigo, já que tudo o que eu esperava acontecera, talvez fosse Raphael que me
deixasse desse jeito, já que por completa origem dele, eu fosse motivo de
gozações entre colegas e familiares, já que todos duvidam de minha vontade.
Tomei meu banho, olhei no relógio e já eram 18hrs eu
havia ficado por um longo tempo pensando se tudo o que eu sofria por causa de
Raphael realmente valia a pena.
Me vesti, eu havia comprado um vestido balonê preto de
cetim, era lindo, arrumei meu cabelo num rabo de cavalo bagunçado e de lado, e
fiz uma maquiagem super forte, olhei – me no espelho e definitivamente gostei
muito do que vi, eu estava absurdamente linda, sorri admirando o resultado
quando ouço ao longe minha mãe gritar –me
- Já esta pronta Ani? Temos que ir para não nos
atrasarmos, Já estão todos aqui!
Abri uma brecha da porta e pude notar que todos meus
familiares se encontravam presentes para esse evento.
Sinceramente, confesso que gostei, mas fiquei um pouco
nervosa, estava tensa, o que achariam de mim? Será que estou bonita?
Voltei a me observar no espelho.
Nunca fui uma garota bonita, na verdade se sou bonita ou
não, isso não sei dizer ao certo, só sei que não tenho nenhum dos padrões de
beleza exigidos pela sociedade.
Sou parda, tenho longos, lisos e pretos cabelos (porém um tanto mal cuidados), uso óculos, sou muito magra, e sou a típica nerd. Por
causa disso, quase nem tenho amigos, e sou alvo de mais e mais piadas.
Respirei fundo, abri a porta e sai...
Todos me olharam surpresos. Ouvi alguém assoviar o
famoso "fiu-fiu"... Sinceramente não sei se eu deveria ficar feliz ou
enraivecida, então na falta de qual sentimento deixar transparecer preferi
apenas sorrir.
- Ual Annie, você esta magnífica – Disse minha tia Loren
sorrindo
- Pela primeira vez consigo ver um pouco de beleza em
você Annie – Zuou-me Frank meu primo que também iria se formar.
Respirei fundo para evitar confusões.
-Obrigada tia Loren, a senhora está como sempre muito bonita
- Muito obrigada, querida.
Tia Loren talvez fosse minha tia preferida.
- Muito bem – Interrompeu minha mãe – Vamos logo, iremos
nos atrasar.
-Vamos – Todos nós dissemos juntos, e saímos.
O local da minha formatura era bem próximo á minha
casa, dava aproximadamente 10 minutos.
Então logo chegamos.
O local estava mais cheio do que eu imaginava, logo
avistei Lupita ao longe, que também me avistou e veio correndo até mim...
-Amiga!!! –Disse me abraçando – Como você está linda
–Sorriu
- Ah Guadalupe não invente – ri – você também não está nada mal, está bonitinha – fiz uma expressão esnobe
-Bonitinha? –Disse boquiaberta – gastei toda minha
mesada nisto aqui, poxa.
- Brincadeira sua boba – rimos – você está muito linda
amiga.
- Eu sei - Mostrou-me a língua
- Convencida – ri
- E O RAPHAEL, ANNIE CADE? – ouvi uma voz bem próxima e
conhecida me gritar e logo em seguida rir acompanhado por mais risos.
Olhei para o lado e vi que eram meus primos como sempre
e quem me gritou foi Frank.
- Escuta garoto, você não tem nada melhor pra fazer na
vida não? – Disse Lupita irritada – vai procurar uma garota pra você namorar e
deixa a Annie em paz. Vem vamos Annie – Disse Lupita me puxando pelo braço.
- Ela é linda, mas é brava – ouvimos Frank dizer se
referindo a Lupita que fingiu não ouvir.
- Annie como você consegue? – Indagou-me Lupita
- Consegue o que? – Fiz cara de desentendida – Ser tão
feia? – Brinquei mas no fundo eu sabia que era a mais pura verdade.
- Não Annie, você é linda, o problema é que você não
consegue enxergar isso, você deveria deixar seu lado belo sair só do seu interior e vir para o exterior – disse sorrindo – mas o que eu perguntei é como
você aguentar esses imbecis dos seus primos.
- Sabe Lupi, chega uma época da vida que de tanto ouvir
a mesma coisa a gente passa a se acostumar. – Dei um sorriso de lado.
Lupita apenas me abraçou.
Ficamos assim por mais alguns segundos em silêncio,
quando ela o quebra.
- Você sabia que terá mais uma escola que vai se
formar hoje? – Disse Guadalupe animada.
- Nossa, é mesmo? Eu nem estava sabendo – Fiz uma expressão surpresa – Deve ser por isso que tem tantos carros aqui.
- Era isso que eu desconfiava, nossa escola não iria
reunir tanta gente assim – disse enquanto olhava para os carros.
- E você sabe qual escola é? – Indaguei, não estava
muito interessada em saber, para mim não iria fazer diferença.
- Hunter College.
- HUNTER COLLEGE? – Fiquei surpresa, Hunter College era
o colégio de Sophie a irmã do meu Raphael, mas fiquei um tanto confusa, pois
na cidade haviam dois Hunter College, o I e o II, o de Sophie era o II. – Mais qual
dos dois?
- Nossa – riu – Que alegria em... – disse Lupita – Disso eu
não sei, só me disseram que é o Hunter College que ira se formar junto conosco.
Apenas sorri, Guadalupe tinha a memória tão fraca, que
tenho certeza que esqueceu que Sophie estudava no Hunter College II.
Eu tinha quase toda a certeza do mundo que não era o
colégio de minha “cunhada” imaginária, mas mesmo assim, criei um pouco de
expectativa,afinal, tudo poderia acontecer.
- Annie filha, estávamos lhe procurando. – Era meu pai
que acabara de chegar no pátio do salão em que seria celebrada a formatura. –
Porque ainda não entrou?
- Papai, ainda falta bastante tempo para a formatura.
- Annie, mas você deveria ficar lá dentro conosco filha,
eu e sua mãe estávamos preocupados com você.
- Pai – Disse colocando minha mão sobre seus ombros – Eu
já tenho dezessete anos, já não sou mais uma garotinha, eu sei me cuidar, e sei
onde vocês se encontram.
- Eu sei filha – disse meu pai enquanto tirava minhas
mãos de seus ombros e as beijava – Mas enquanto você for menor de idade, estará
sobre minha responsabilidade, é meu dever ser super protetor.
– Tudo bem papai, te entendo – sorri
- Então vamos – sorriu
- Vamos – sorri e olhei para Lupita – Vem vamos Lupi.
- Vamos Ani – sorriu
Encaminhamos-nos até onde todos estavam sentados, meus
pais e os pais de Guadalupe eram muito amigos, por isso sempre que havia alguma
comemoração no colégio eles tratavam de ficarem juntos.
Meus pais e os pais de Lupita estavam na mesma fileira
de bancos, enquanto nossos outros parentes estavam nos bancos traseiros.
- Annie – Chamou-me minha mãe.
-Sim?
- Você pode pegar um pouco de água para mim filha? –
Perguntou me sorrindo – Estava tão empolgada com a sua formatura que acabei me
esquecendo – riu
- Ah mãe – Fiz cara de cansaço – Acabei de me sentar –
Fiz bico.
Minha mãe riu se.
- Ani, por favor filhota, prometo que hoje não lhe peço
mais nenhum favor –sorriu – aproveita e vê se não encontra com algum conhecido seu
vagando por ai – Minha mãe piscou para Lupita que retribuiu, desconfiei.
- huum... –fiz cara de desconfiada –Vamos então né, vem
Lupi.
Levantei-me e fui com Guadalupe em direção a porta que
levava aos sanitários e aos bebedouros.
- Enquanto você vai aos bebedouros, eu vou ao sanitário esta bem!? – Disse Lupita, que entrou em uma porta ao lado do bebedouro que conduzia
até os sanitários.
- Esta né – Sorri de canto, peguei um copo descartável e
comecei a enche-lo enquanto pensava em coisas aleatórias, tanto que nem notei
que uma pessoa chegou atrás de mim para tomar água também.
Em fração de segundos o copo já estava cheio, me virei
bruscamente sem perceber que alguém estava presente atrás de mim e acabei
derrubando toda minha água na roupa do homem que esperava sua vez de usar o bebedouro.


Nenhum comentário:
Postar um comentário